FLIM 2026 celebra a força da cultura dos Vales e a resistência cultural construída pelo Instituto In-Cena

3ª Festa Literária do Vale do Mucuri acontece de 24 a 27 de setembro, em Teófilo Otoni, reunindo literatura, teatro, música, cinema, histórias e diferentes vozes dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha

A cultura dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha carrega uma história de resistência. É uma cultura que se reinventa, preserva memórias, cria novas narrativas e encontra na arte um caminho de pertencimento, expressão e transformação. É nesse território que o Instituto In-Cena vem construindo, há anos, uma trajetória dedicada à valorização, à promoção e à permanência da cultura regional, criando espaços para que artistas, escritores, mestres, grupos, comunidades e diferentes gerações possam contar suas próprias histórias.

Essa trajetória também se manifesta na realização da FLIM – Festa Literária do Vale do Mucuri, que chega à sua terceira edição em 2026. Entre os dias 24 e 27 de setembro, Teófilo Otoni será palco de uma programação que reafirma a literatura como território de encontro, mas que amplia esse território para outras linguagens artísticas e para as múltiplas experiências culturais dos Vales.

Instituto In-Cena: cultura como resistência, memória e permanência

Mais do que produzir eventos, o Instituto In-Cena vem desempenhando um papel importante na construção e na manutenção de uma cena cultural que nasce nos territórios e se fortalece a partir deles. Seu trabalho está ligado à compreensão de que promover cultura regional também significa resgatar memórias, formar novos públicos, estimular artistas, preservar saberes e garantir que as histórias dos Vales continuem sendo contadas por quem vive e constrói esses territórios.

Ao longo de sua trajetória, o Instituto ampliou sua atuação para além do Vale do Mucuri, estabelecendo conexões e desenvolvendo ações em diferentes territórios de Minas Gerais e também em outros estados brasileiros. Essa circulação fortalece uma rede cultural que aproxima artistas, grupos e comunidades e demonstra a potência de uma produção que, muitas vezes, nasce longe dos grandes centros, mas carrega uma enorme força criativa e simbólica.

Entre as ações que traduzem essa atuação está o Núcleo de Memórias do Instituto In-Cena, responsável, entre outras iniciativas, pela curadoria e realização do Cine Clube Literário da FLIM 2026, que apresenta curtas e histórias de infâncias dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha. A iniciativa revela uma das dimensões fundamentais do trabalho do Instituto: guardar, valorizar e fazer circular as memórias de um território por meio da arte.

A força do In-Cena está justamente nessa capacidade de transformar cultura em presença. Em um cenário no qual iniciativas culturais regionais muitas vezes precisam resistir à falta de recursos, à distância dos grandes circuitos e à invisibilidade, manter uma produção contínua significa também defender o direito de um território existir culturalmente, narrar a si mesmo e projetar seu futuro.

É essa perspectiva que atravessa a FLIM. A festa literária não surge isoladamente, mas como parte de uma construção cultural mais ampla, feita de encontros, artistas, leitores, educadores, crianças, comunidades e histórias que insistem em permanecer.

FLIM 2026: “Escrevivências Brincantes” coloca os Vales no centro da cena

De 24 a 27 de setembro, a 3ª FLIM – Festa Literária Vale do Mucuri ocupa Teófilo Otoni com uma programação gratuita e diversificada, tendo como tema “Escrevivências Brincantes”. Durante quatro dias, a Praça Tiradentes e outros espaços da cidade recebem atividades que aproximam literatura, infância, memória, música, teatro e oralidade.

A abertura acontece na quinta-feira, dia 24, às 8h, na Praça Tiradentes, com “Cantarolando”, do Grupo In-Cena de Teatro. A programação segue com a oficina de literatura infantil “Asas de Papel”, rodas de leitura, contação de histórias, cineclube literário e distribuição de livros.

Na sexta-feira, 25, o público poderá acompanhar apresentação teatral, roda de conversa e lançamento literário, rodas de leitura, contação de histórias e a palestra literária com Katiane Martins, de Teixeira de Freitas (BA), sobre o livro Cali, a menina que nasceu de uma cabaça. À noite, a música ocupa a praça com Marcela Veiga, em um show dedicado às cirandas.

O sábado, 26, amplia ainda mais o diálogo entre literatura e território, com a oficina “Escrevivência Brincantes – MucuriConta”, roda de conversa, roda de leitura e lançamento literário infantil. O encerramento do dia será marcado pelo show “Velhas Infâncias”, com o Coral Vozes da Bahiminas e Tambores do Mucuri, de Teófilo Otoni, e participação especial do Grupo de Mulheres da Comunidade Passagem da Goiaba, de Araçuaí.

No domingo, 27, a FLIM encerra sua terceira edição com Dançando Palavras, contação de histórias com Nina, chove de rir e o show “Jazz Para Crianças”, com o Quarteto Ária, também de Teófilo Otoni.

Mais do que uma programação literária, a FLIM 2026 reafirma uma ideia essencial: a cultura dos Vales está viva porque existe quem a produza, preserve, reinvente e faça circular.

Ao colocar no mesmo palco escritores e leitores, crianças e educadores, artistas locais e convidados de outros territórios, a festa cria uma cartografia afetiva e cultural que atravessa o Mucuri e chega ao Jequitinhonha e a outros lugares. É uma celebração da palavra, mas também da memória, da infância, da identidade e da capacidade de um povo continuar contando suas próprias histórias.

Em sua terceira edição, a FLIM se consolida como um dos espaços dessa resistência. E, ao lado dela, permanece o trabalho do Instituto In-Cena: fazer da arte uma ferramenta de encontro, memória e transformação e, sobretudo, manter acesa a força cultural dos Vales.

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